O termo política tem inúmeros significados. Dentre eles, está o que considera política a ciência da governança de uma cidade, estado ou nação, ou de qualquer sociedade organizada. Provavelmente você já conhece esta definição, seja pela escola, pelos livros, por pesquisas ou por intuição. Uma sociedade é composta por muitas pessoas, cada uma com valores, saberes e aspirações diferentes umas das outras. Cada um de nós sente diferentes necessidades e, naturalmente, gostaria de tê-las atendidas de alguma forma. Em uma sociedade, cidade ou estado, sempre haverá ideias e desejos conflitantes, pois somos seres pensantes e diferentes uns dos outros.
Ampliando então o conceito de política, podemos dizer que ela é a gestão de conflitos entre seres que têm desejos distintos, em um contexto essencialmente limitado, visando a convivência harmoniosa entre eles.
E POR QUE O CONTEXTO É LIMITADO?
A explicação é bastante simples: existe um limite do que é possível ser feito com os recursos disponíveis (tempo, verba, capacidade técnica, impactos, etc). Esses recursos não podem ser utilizados isoladamente, e sim de forma combinada. Se existem limites, existe o conflito.
Vamos exemplificar:
Cenário 1:
Em uma cidade qualquer, existe uma necessidade de construção de casas populares para os habitantes que ainda não possuem casa própria. Todos os habitantes concordam que as casas populares devem ser construídas.
Existe verba e todos os recursos necessários para construção. O tempo previsto para realização da obra é razoável e aceito pela população. O local adequado está disponível. Portanto, o projeto se caracteriza como bastante promissor. Nesse contexto, não há limitações e por isso, não há conflitos aparentes.
Cenário 2:
Agora imagine que nesta mesma cidade, o parque municipal (destinado para atividades de lazer, cultura e esportes da população) é o único espaço onde é possível construir as casas. A prefeitura comunica à população que o parque será substituído pelo novo conjunto habitacional. Entretanto, uma parte da população, que até concorda com a construção das casas, não concorda com o local em que serão construídas. Afinal, o parque é muito importante para cidade!
Nasce então o primeiro conflito, gerado pelo limite do local da construção das casas. Aparentemente, todos os envolvidos possuem motivos justos. As casas são importantes, mas o parque também é. Para decidir se o parque deve ou não ser substituído pelo conjunto habitacional, a prefeitura sugere uma votação direta da população. Na votação, a maioria decide manter o parque. Ou seja, um novo local deve ser estabelecido.
Observe que a maioria optou por manter o parque, sendo que uma parte da população preferia que o parque fosse desativado em favor das casas. Uma insatisfação foi gerada e precisa ser atendida. O tempo, que antes era suficiente para a realização da obra, foi afetado pela necessidade de busca de um novo local.
A prefeitura localiza então pequenas áreas livres na cidade, mas essas áreas não são suficientes para a construção de todas as casas necessárias. Resumindo, alguns habitantes continuarão sem a casa própria. Por isso, passa a ser necessário escolher quem receberá as novas casas. O projeto inicial, que atenderia a todos os que precisavam, agora precisa estabelecer critérios de seleção, pois nem todos poderão ser atendidos. Uma nova insatisfação foi gerada.
Com esse exemplo muito simples, percebemos claramente que decisões e escolhas, mesmo que feitas pela maioria, geram insatisfações nos grupos que não tiveram seus desejos atendidos, ainda que estes sejam justos. Portanto, fica claro que política envolve certo grau de complexidade. A todo momento, temos escolhas e desejos não atendidos e consequentemente, insatisfações que precisam ser gerenciadas, para a manutenção de uma convivência harmoniosa.



































.png)









































































